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 Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD

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Linderman

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MensagemAssunto: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Qui Jul 23, 2009 8:15 pm

Well, o objectivo inicial era criar uma linha de história que servisse para uma manga...acabou por ficar escrito num estilo predominantemente narrativo e o mais "visual" possível xD Here it goes ... = )

Chapter 1 - "The Faceless Warrior" /// " O Guerreiro sem Face "

Nasce o dia cinzento na cidade de Éden. A chuva cai insistentemente ouvindo-se por toda a cidade os prenúncios evidentes de uma forte tempestade.
Fecham-se as janelas de todas as casas. Éden parece “adormecida” agora que o dia começou, mas para os habitantes desta cidade tudo tem mais significado – um significado obscuro e envolvido em profundo mistério.
A cidade de Éden foi em tempos uma das cidades mais importantes do reino Aesturia.Imponente e grandiosa, dotada de extrema influência no mercado imperial, a cidade de Éden facilmente se expandiu, dando origem a um marco obrigatório de importância político/estratégica para todo o império. Contam as vozes mais antigas, já desgastadas pelo tempo e pela mágoa, que a cidade abarcava nos seus tempos de glória mais de cerca de 500 milhares de cidadãos. Éden era conhecida orgulhosamente como a “Cidade da Luz”, uma cidade que indiferente ao tempo,conhecia apenas a face do dia. Não se esperava em Éden outra coisa senão o habitual sol brilhante, claro prenúncio do favor divino para todos os habitantes da real cidade.
Tudo foi assim durante vários anos até que chegou o fatídico dia -a Cidade da Luz assistira assim à chegada do Guerreiro sem Face.
Este misterioso homem apareceu há cerca de 10 anos atrás perante o pórtico central da cidade de Éden, despertando rapidamente a curiosidade dos habitantes. Muito alto e musculado, transportava consigo uma espada da sua altura, levando-a ao ombro aparentemente indiferente para com o óbvio peso da sua arma. A espada era em tudo semelhante ao homem que a transportava. Misteriosas inscrições numéricas eram visíveis num dos gumes da lâmina assassina sendo que o outro gume apresentava-se de uma cor vermelha e sombria.
Mas o que mais assustou os habitantes foi, sem margem para dúvidas, a cara do misterioso guerreiro. Toda ela estava tapada por uma máscara que lhe cobria o rosto com excepção de um único olho vermelho, que parecia perscrutar e sentir o pulso da cidade. “Não teria sido preciso a máscara”, de certo, foi o que pensaram os habitantes de Éden pois os cabelos desgrenhados e totalmente brancos do homem cobriam-lhe parcialmente toda a face e à semelhança da sua espada eram igualmente longos, contribuindo ainda mais para a aparência insólita do homem.
Rapidamente a multidão se dispersou. Simplesmente não queriam fixar algo que identificaram como estranho e perigoso.
Aparentemente alheio a tudo o que se passava, o homem caminhou pela cidade, arrastando agora a sua espada pelo chão indefeso,que tal como uma folha de papel dobrada pelas mãos de uma criança, ia ficando facilmente marcado.
Parecia andar sem destino, andava, andava, andava … sempre em frente, simples atitude de quem parece somente estar a matar tempo.
Tudo pareceu mudar com a chegada da meia-noite. Subitamente, o misterioso homem parou e levou a mão a um dos bolsos do seu longo casaco, retirando um estranho recipiente oval coberto de um líquido tenebrosamente vermelho. Repentinamente e com uma precisão de movimentos delicados e rápidos, que pareciam contrastar com
a sua aparência, o homem esvaziou na rua da cidade todo o líquido contido no recipiente. Baixando-se e retirando uma das luvas que usava constantemente, começou a desenhar com as sua mão um sem número de formas e sequências no chão da cidade.
O seu trabalho estava agora concluído. Quem naquele momento olhasse para a rua deserta em que se encontrava este homem, poderia ver no chão uma marca hexagonal contendo no interior estranhas figuras aliadas a uma sequência de números aparentemente aleatórios.
Levantou-se então o misterioso guerreiro e, levando a mão à face oculta, afastou com um golpe suave o cabelo que lhe cobria toda a face. Olhou para o céu e murmurou algumas palavras desconhecidas, dotadas também de profundo mistério e aura mistíca. Que linguagem era aquela que não parece existir neste mundo?
Subitamente o círculo vermelho começou a brilhar. Parecia estar vivo e ascendia subitamente,como que nascido do chão da rua sombria e agora encaminhando-se em direcção ao Sol.
O homem continuava a olhar e mesmo sendo difícil perscrutar as suas emoções adivinhava-se facilmente aborrecido, como uma pessoa que já passou por uma situação inúmeras vezes até ter perdido finalmente conta.
O círculo chegara então ao Sol. Ouviu-se no horizonte um grito lancinante de dor e as primeiras faces foram avistadas nas janelas das várias casas. Era o pasmo geral! Os habitantes olhavam assustados para um céu que nunca tinha visto tendo saído mesmo de rompante para as ruas da cidade para melhor admirarem o estranho fenómeno.
O Sol, que sempre brilhara perante a cidade de Éden, fora envolvido pelo círculo criado pelo homem. Uma luz vermelha invadia agora toda a cidade e ouviam-se pelas ruas gritos e palavras desconhecidas, exactamente iguais àquele primeiro grito de dor que acordou toda a cidade.
Se tal visão era já em si estranha nada poderia ter preparado os cidadãos de Éden para o que viria a acontecer.
Do Sol vermelho e angustiado, claramente visível no céu, saíam agora figuras encapuçadas todas elas transportando correntes nos pulsos, nas pernas e no pescoço gritando incessantemente num tom agudo e assustador.
Instalou-se o pânico geral na cidade. Todos os habitantes fugiam agora da estranha aparição. Não pensavam em absolutamente mais nada, a não ser fugir daquilo que viam e não conseguiam compreender. Rapidamente foram circundados pelas figuras pretas que continuavam o ritual incessante de gritos dolorosos. Completamente petrificados, os habitantes de Éden olhavam indefesos para aquelas criaturas, claramente de outro mundo que não este onde tal coisa jamais tinha sido vista.
Pararam subitamente os gritos. As figuras encapuçadas deram as mãos esguias e definhadas perante uma atmosfera agora calma, circundando toda a cidade.
Rajadas súbitas de vento começaram a ser então sentidas perante o céu
perturbado e, desta forma, foi facilmente revelada a identidade dos
encapuçados. E que surpresa!
Os mantos que tinham provocado o medo na população de Éden estavam completamente vazios.
Perante o ar de choque dos habitantes começou a ouvir-se pela primeira vez uma voz distante que chorava. As figuras encapuçadas acompanharam essa voz,chorando também agora perante o olhar estupefacto dos cidadãos.
Tudo aconteceu em breves momentos. O céu perdeu a sua cor e perante a melodia de lágrimas criada, a população de Éden viu pela primeira vez um céu sem sol nem brilho qualquer. Fechava-se cada vez mais o círculo das figuras encapuçadas perante o grito assustado dos habitantes. As mãos destas que até então estavam dadas partiram em busca dos habitantes que procuravam novamente fugir. Mas já não havia nada a fazer! Uma vez tocadas as pessoas começavam a desaparecer sendo absorvidas para o interior dos misteriosos mantos, mantos esses feitos de um material que não existe neste tempo e espaço.
Era o caos geral! Por toda a cidade ouviam-se gritos, crianças a chorar e os primeiros edifícios começavam finalmente a arder.
A Cidade da Luz estava agora imersa no caótico brilho das chamas. Gritavam então crianças,inúmeras vozes desconhecidas pediam por ajuda mas nenhuma voz lhes dava resposta. Estavam condenadas a desaparecer naquele fatídico ritual.
Horas depois a cidade estava finalmente em silêncio, não se ouvindo sequer uma única voz que perturbasse a calma finalmente conseguida. O homem que até então permanecera estático estendeu para o céu a sua mão. Pronunciando novas palavras naquela estranha linguagem o círculo criado soltou-se e retornou para o misterioso
recipiente. Nesse momento todas as figuras encapuçadas desapareceram ficando a cidade finalmente adormecida.
Caminhava agora o homem de regresso ao pórtico da cidade, aparentemente tranquilo perante a pilha de corpos que se acumulavam nas ruas, uns queimados, uns torturados e outros que parecendo vivos tinham perdido completamente a cor do seu olhar. Era esta a visão de uma cidade destruída, vencida por um só homem – a cidade sem sobreviventes.
Ou assim pensava pelo menos o misterioso homem…
Tinha já chegado à rua por onde entrara na cidade quando de repente sentiu algo a bater contra as suas pernas. Aparentemente interessado olhou para trás com a fria calma que tão bem o caracterizava, desferindo no inimigo desconhecido um preciso golpe com a sua espada. Pela primeira vez adivinhou-se um ar de preocupação por detrás daquela face sem emoções.
No chão estava estendida uma criança de 5 anos agora atingida pelo seu golpe no olho esquerdo. Tinha já também perdido o seu braço direito agarrando o coto com a sua outra mão e tentando com todas as suas forças manter-se em pé para encarar o homem. Foi nesse momento que se cruzaram os olhares entre o vermelho sangrento do guerreiro e o azul feroz do rapaz que, agarrando-se com toda a força que tinha à vida, perseguira então o homem que causara tudo aquilo.
Não se aguentou mais. Desmaiando, possivelmente por causa de todo o sangue, perdeu-se num movimento de queda longo e gracioso até embater finalmente com as suas pequenas costas no chão coberto pelos corpos de muitas outras pessoas.
Não estava morto,torcendo-se ainda a sua cara num esgar de dor. Curiosamente a sua face transmitia ainda alguma calma assemelhando-se a uma criança que dorme com um ar de curiosa determinação e teimosia.
Francamente surpreendido, o homem mirava a figura frágil da criança que ainda lutava para se manter viva. Não esperara que tal pudesse acontecer. Aliás, era de facto a primeira vez que tal acontecia… que alguém sobrevivia ao “Banquete dos Deuses.”
Profundamente interessado sentou-se ao nível do rapaz. Levando a mão à espada e estendendo a sua mão novamente para o ar, murmurou uma série de novas palavras. Das várias casas ainda intactas, do chão e até mesmo do ar desprenderam-se várias partículas assimiladas conscientemente pela vontade do homem. Um novo círculo hexagonal tinha sido formado. No centro desse círculo surgia algo semelhante a um espectro de um braço completamente preto contendo em si a seguinte sequência “00.00.00 Shirou”. Ainda flutuando misteriosamente no ar o braço tornava-se cada vez mais sólido aproximando-se lentamente do coto mutilado da criança. Num instante que pareceu durar um segundo todo o sangue que a criança perdia cessou e um novo e bizarro braço estava agora anexado ao corpo da criança que dormia profundamente alheio a tudo o que se passava.
Passaram mais umas horas sem que o homem saísse do pé da criança. Ainda manifestamente interessado no que presenciara, o Guerreiro sem Face removera a sua máscara pela primeira vez nos últimos 10 anos. Com outro golpe simples e preciso removera o seu olho oculto. Se alguém naquela cidade estivesse ainda vivo poderia ter ouvido a única manifestação de dor deste homem sem emoções. Era um olho estranho, de um preto semelhante ao do seu novo braço mas totalmente espiralizado por tons de um azul profundo.
Virando as costas à criança, a figura do homem que lhe dera uma segunda oportunidade, desaparecera para sempre murmurando as últimas palavras que alguma vez lhe foram ouvidas:
- Será interessante ver o que fazes com a tua segunda vida, Shirou…
Nesse momento choveu pela primeira vez na Cidade da Luz. Pesadas gotas de um intenso vermelho competiam agora na “natural queda”, pela chegada ao solo de uma cidade eternamente vencida…

Nuno Santos // 20 de Julho 2009 Cool
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Fred

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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Ter Set 08, 2009 3:48 am

Estranha a tua história, mas num bom sentido...

não estou habituado a ler este tipo de Leitura com características deste modo, mas está fenomenal em termos de descrição e história, contudo o teu proprio guerreiro sem face (segundo a minha imaginação) é arrepiante xD

^^ continua
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Linderman

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MensagemAssunto: Thanks   Ter Set 08, 2009 4:48 am

Obrigado por teres lido...ainda estou a pensar como hei-de desenvolver o resto da história xD já tenho mais alguns chapters quase concluídos mas primeiro tenho que encadear toda a linha de história para que faça sentido.

Qualquer dia faço post da nova parte Very Happy
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Misa_Hatsune

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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Ter Set 08, 2009 1:53 pm

Eu gostei, pelo menos do que li. O teu problema é que fazes capítulos muito compridos e como estamos num computador acaba por cansar mas depois leio o resto e espero continuar a gostar! ^^
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Linderman

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Masculino Peixes Cabra
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MensagemAssunto: Thanks   Ter Set 08, 2009 2:30 pm

Yup só me apercebi que estava um "bocado" para o extensivo depois de o ter publicado aqui xD É que inicialmente a ideia era mesmo ser o máximo descritivo/pormenorizado porque um colega meu ia desenhar as cenas e fazer esboços das personagens = ) Depois lá me entusiasmei e escrevi bastante...se eu consegui arranjar ideias para o próximo tentarei fazer algo mais curto ou então subdivido-lo em partes que não prejudiquem o entendimento da história.

Obrigado por teres lido (: É sempre bom receber opiniões para corrigir erros e "vícios" que possam ajudar a melhorar. Very Happy
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Rasec

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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Ter Set 08, 2009 6:12 pm

Ya, capitulos mais curtos ajuda mas não estou muito habituado a ler texto que descreva muito as coisas. Sei que é suposto ser mesmo assim mas nunca fui adepto de tanta "descrição". Sempre gostei mais de cenas directas ao assunto. Vendo bem é assim que eu escrevo.

Mas gosto, ver como corre essa ideia dos sub-capitulos. Irei esperar para ler e comentar depois.
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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Ter Set 08, 2009 6:37 pm

Antes de mais, gostei da fic ^^ Adoro coisas descritivas, porque assim é mais fácil de imaginar o ambiente que gira em torno da acção. Apesar de que um bocadinho de diálogo no meio ajudava, para não ficar muito maçador, mas isso vai-se aperfeiçoando.

Os sub-capitulos é uma boa ideia porque assim as actualizações seriam mais frequentes e seria menos cansativo do que se ler tudo de uma vez, o que, pode prejudicar a visão Razz
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Linderman

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Masculino Peixes Cabra
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MensagemAssunto: Chapter 2   Ter Set 08, 2009 7:25 pm

Well aqui vai segundo chapter da história. Confesso-me bastante mais satisfeito com o produto agora obtido uma vez que adoptei o formato de "livro" por completo. Aquelas "******" surgem com o intuito de relatar acontecimentos simultâneos...não achei melhor grafismo para representar a situação xD Espero que gostem ( eu pelo menos diverti-me mais a escrever esta parte na qual começa a haver uma maior interacção de personagens e alguns novos factos são revelados). Bem resolvi englobar estes acontecimentos simultâneos que tornam o ritmo da historia mais agradável e mesmo do ponto de vista gráfico permitem pausas que dvem reduzir o problema de ler algo tão extenso como no capítulo anterior...agradecia a vossa opinião quanto a isso = )

:::Chapter 2:::: Galadra - O Militar

Na sala do topo de uma torre com vista para o centro da cidade, um homem dava cartas, sentado numa pequena secretária desgastada pelo tempo. Formou inicialmente um círculo de 6 cartas, viradas para cima, seguindo indolentemente todo este ritual com um ar aborrecido. Colocou a sétima carta no centro do círculo e comtemplou o resultado obtido.
- Que estranho! - exaltou-se o homem. Abanava a cabeça revoltado, como se tal gesto torna-se o resultado mais favorável. "Algo tinha que estar errado" - pensou novamente o homem tentando acalmar-se.
Galadra foi em tempos uma figura influente do império Aesturiano. Homem revolucionário e comandante do exército tornou-se rapidamente notável pelas suas campanhas militares. O "Génio Táctico", como em tempos foi conhecido, sobreviveu assim à Grande Guerra Imperial na qual Aesturia e Scandra se atacaram continuamente pela posse da Cidade da Luz. Hoje é apenas mais um dos inúmeros funcionários ao serviço del-Rei e á semelhança da velha sala o tempo passou cruelmente por Galadra.Contam-se as rugas e cicatrizes no rosto do génio militar, hoje velho e ultrapassado. Da guerra sobram apenas as dores e traumas experienciados pelo corpo e alma.
Retomando a leitura verificou que esta era a mais estranha que alguma vez efectuara. Ainda nessa manhã Acir, secretário imperial, tinha-lhe pedido a mando del-Rei que fizesse a adivinhação habitual. Galadra estranhou este pedido pois faltavam ainda cerca de duas semanas para a habitual data em que oferecia ao rei os seus serviços.
Abanando novamente a cabeça enquanto se punha em pé , muito a custo visto que as suas velhas pernas já davam sinais de fadiga, Galadra procurou voltar a concentrar-se na tarefa que lhe tinha sido dada.
Abrindo uma gaveta da desgastada secretária removeu um recepiente que continha um líquido estranhamente transparente. Usando a pouca força que hoje em dia tinha nos seus frágeis braços, abriu-o e repentinamente despejou o líquido por cima das cartas.
- Imago Conjurus - murmurou numa voz fraca.
Subitamente todo o material até então líquido ergueu-se formando uma espécie de moldura de um quadro bizarro. Como era estranho este quadro sem gravura! Apenas se via, teimosamente erguida no ar, aquela estranha moldura de um quadro sem imagem.
Galadra, não evidenciando qualquer sinal de surpesa, alcançou as cartas com as suas mãos trémulas. Estas, como que dotadas de vida própria, foram atraídas para o quadro e de forma muito lenta foram organizando-se aparentemente alheias à vontade do velho homem...

**************************************
Ouvia-se ao longo do corredor o som de passos apressados.Duas criadas entraram de rompante num dos quartos.
- Acir, el-Rei exige que se apresente nos seus aposentos!
Estava já a findar o dia quando Acir foi interrompido.Levou o seu tempo a perceber que tinha sido chamado.Assegurando ás criadas que iria já em seguida ver el-Rei, demorou-se mais um pouco no seu quarto. Olhou em volta para um grande armário espelhado. A sua face devolveu-lhe um olhar verde, claramente cansado e ansioso com tudo o que estava a acontecer. Dos funcionários del-Rei, só ele e o velho Galadra sabiam a importância que encerrava o ritual da Adivinhação.
- Acir, isto não são assuntos com os quais se brinquem! - exclamou seriamente o velho para um jovem rapaz que não parecia ter mais do que 15 anos. - Na verdade não consigo perceber porque é que el-Rei faz questão que estejas presente.
-Vá lá Galadra, deixa-me ajudar-te - retorquiu o jovem em tom infantil, claramente fascinado com o todo aquele "jogo místico" de cartas como lhe gostava de chamar.
Abanando a cabeça, como quem procura sacudir recordações,o presente Acir afastou o olhar do espelho. Acabara de experenciar um dejá vu e ainda nem sequer tinha jantado, terá pensado laconicamente o homem.
Era assim Acir, um "ainda jovem" extremamente bem disposto. Todos os vassalos gostavam das piadas do rapaz e adoravam quando este os presenteava com os cantos da época e de outras canções dos tempos de guerra ensinadas por Galadra.
Tendo se despachado rapidamente, vestindo as roupas do ofício, Acir preparou-se para abandondar o quarto quando um pensamento lhe cruzou a mente.
- Bem, suponho que ainda haja tempo para uma visita ao velho Galadra. Com um sorriso na face Acir começou a deslocar-se no caminho inverso em direcção à velha sala onde tanto tempo da sua vida passou.


**************************************

Galadra levou repentinamente a mão ao peito. Homem de guerra, habituado a horrores que o comum cidadão de Aesturia jamais imaginaria, não estava minimamente preparado para o que vira.
- "Como era possível que em tempos de paz tal futuro lhe revelado pelas cartas fosse possível?"
Não tinha mais tempo a perder! Galadra sabia exactamente o que deveria fazer.
Movendo-se devagar, muito a custo pois o dia já ia longo, terminou com o ritual da adivinhação. Murmurando um par de palavras com sonoridade exótica para os não entendidos na matéria, o bizarro quadro evaporou-se subitamente do ar tendo todo o líquido voltado imediatamente para o recipiente. As cartas haviam desaparecido. Os mestres da Adivinhação desenvolveram num passado já distante uma forma de transcrever o que foi visto nas suas mentes. Tal foi concebido para evitar que informação de extrema importância pudesse ser roubada por mãos inimigas, assim, um mestre de Adivinhação partilhava com o rei um pacto que jamais podia ser desfeito no qual ambas as partes juravam trocar somente entre si as visões obtidas por esta arte.
Preparava-se já para partir para os aposentos do rei,todavia, deteve-se por instantes. Sabia que por volta desta hora o jovem Acir costumava visitá-lo. Hoje lá o teria que despachar rapidamente, uma vez que tão preciosa informação teria que ser divulgada rapidamente a el-Rei.
Precisamente no momento em que ouviu o relógio dar as badaladas ouviu a velha maçaneta da porta ranger estridentemente, barulho com o qual já estava perfeitamente familiarizado.
Ainda de costas para a porta disse:
- Acir até que enfim chegas! - exclamou rapidamente Galadra. Hoje não me posso demorar muito tempo cont...
-Então Galadra, é assim que se recebe um velho amigo? - interrompeu-o uma voz fria mas estranhamente conhecida para o velho general.
Junto à porta erguia-se um homem alto. O seu rosto estava completamente oculto por uma máscara à excepção daquele olho vermelho profundamente assustador, vagamente visível por debaixo do emaranhado de cabelos brancos.
- Tuuuu! - Galadra apontou a medo para o homem. - Mas que fazes tu aqui??
-Então, então... estou a ver que não há muita vontade para conversas - riu-se o homem misterioso, divertindo-se claramente com o rosto atemorizado do outro homem - Muito bem, vou ser directo...ao que parece as tuas "memórias" são importante para os Deuses...
Ao ouvir esta palavra Galadra tentou fugir em direcção à janela próxima da sua secretária. Tinha que evitar a todo o custo que a informação obtida caísse na mão deste grupo perigoso.
- Se fosse a ti não faria isso - disse o homem já num tom sério. -Removendo a máscara olhou para Galadra.
Galadra não se aguentou calado. Por detrás da máscara apresentava-se um rosto assustador mutilado por inúmeros cortes, mas o que mais assustara o velho fora aquela órbitra cicatrizada no qual se via inscrito uma sequência de números sem sentido para Galadra.
Mirando-o com o seu tenebroso olho, o "guerreiro sem face" , assim conhecido nas lendas que perduram após anos, ergueu uma mão em direcção ao homem. Este foi violentamente empurrado como que uma mão invisível contra a janela para a qual minutos atrás tentara usar como última saída.
Aproximou-se a passos lentos do homem agora indefeso e erguido misteriosamente no ar. Levando uma mão à cabeça de Galadra pronunciara um conjunto rápido de palavras. A cor começou a abandonar lentamente a face deste velho homem.Ainda se lutando por manter consciente dirigiu-se ao homem numa voz trémula:
- Porque é que trabalhas para eles? - perguntou. Porquê é que fazes isto traindo a tua própria pátria?
Voltando a ocultar o seu olho vermelho por detrás do emaranhado de cabelos brancos afastou-se lentamente do velho militar sem vida. Já perto da porta do quarto deteve-se por instantes e olhou uma última vez para trás.
- Porque o faço? - repetiu o guerreiro rindo-se. - Por diversão, suponho...
Com um estalar de dedos a figura do "Guerreiro sem Face" dissolvera-se no ar,completamente tranquilo e alheio a toda a dor e sofrimento que a morte deste homem causaria a Acir e a toda a corte no dia seguinte.


Para os interessados o próximo capítulo focar-se-á essencialmente em Shirou, um dos protagonistas desta história (: Very Happy
No que diz respeito à mensagem anterior do Fred...ainda bem que o imaginas assim pois era exactamente o que eu queria que ele transmitisse.Certamente depois de leres este chapters já há mais algo que faz realçar essa faceta dele xD
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Fred

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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Qua Set 09, 2009 8:04 am

LOL Crazy, Brutal, Alrighttttttt


muito bom mesmo... curti milhoes

conseguiste-me surpreender novamente...

continua...
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Linderman

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MensagemAssunto: Reply   Qua Set 09, 2009 3:56 pm

Thanks... este tinha que ter um final brutal xD O Guerreiro sem Face é mesmo "badass" xD O próximo ainda vai demorar um bocado para ficar tudo bem encadeado.
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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Sab Mar 13, 2010 8:11 am

linderman onde tá o tao esperado final???!!!!

seu malandro!

ainda não o postaste...

men continuo a espera

um abraço
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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   Sab Mar 13, 2010 8:24 am

LoL Fred tive a reler a história... já nem me lembrava muito bem do que queria quando inventei isto xD Mas até que teve a sua piada voltar a ler isto...acho que o pessoal se assustou com o tamanho do primeiro chapter...talvez avançe para o 3.º chapter nos próximos dias xD
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MensagemAssunto: Re: Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD   

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Chapter 1 /// humm... de uma "história" xD
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