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 Otome-chan

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anime_cg

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Masculino Virgem Macaco
Aniversário : 16/09/1992
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MensagemAssunto: Otome-chan   Seg Jul 05, 2010 3:48 pm

Spoiler:
 

UM

São meia noite e quarenta e cinco e Miriane, uma menina de doze para treze anos de idade, olhava para o céu da janela de seu quarto.

- Filha! Vá dormir! Amanhã é seu primeiro dia de aula! - Exclama a mãe, ao entrar e encontrar a filha sentada na cama observando as estrelas.

- Como será que vai ser o dia de amanhã? - Pergunta Miriane, pegando sua mãe de surpresa.

- Olhe filha, eu sei que é difícil. Cidade nova, escola nova... Mas com o tempo você fará novos amigos.

- Mas, mãe... Sei lá... Na outra escola eu tinha com quem conversar... Gente que possuía os mesmos interesses que eu... Ninguém me chamava de nerd ou coisa do tipo.

- Calma! Verá que tudo se resolverá.

Miriane então se deita e sua mãe liga o ventilador de teto.

A noite era calma e o único barulho vinha justamente dos vários ventiladores ligados no máximo, devido ao calor. O céu estava estrelado e a luz da lua competia com os postes de iluminação.

Miriane era uma menina pequena e com aspecto incomum a sua idade. Quem a via não lhe dava mais de oito ou nove anos de idade, apesar de sua face já demonstrar algum sinal de chegada à puberdade. Seus olhos eram verdes claros, seus cabelos eram longos e de cor castanho claro.

DOIS

- Miriane! Filha! Acorde! Já está na hora de você ir à escola. - Chama o pai, mexendo no ombro da filha enquanto esta balbuciava pedindo mais quinze minutos de sono. - Vamos filha! Não quer se atrasar no primeiro dia?

O pai de Miriane era alto, magro, de uns trinta e nove para quarenta anos e servia ao exército - fato que o levava a ter que se mudar uma vez ou outra a cada um ou dois anos, o que incomodava um pouco sua família. A mãe tinha mais ou menos a mesma idade, porém, com um corpo magro e atraente; olhos e cabelos iguais aos da filha, uma face jovial e que sempre era composto por um pequeno sorriso.

Miriane não estava nem um pouco contente com o primeiro dia de aula. Ela estava entrando no sétimo ano do Ensino Fundamental. Por causa do seu tamanho era tímida e acabou encontrando nos mangás e animes uma companhia agradável e que supria, até então, a falta de amizades.

A escola onde ela agora iria frequentar era uma nova experiência à prefeitura, já que era uma mistura de particular com pública - enquanto a Secretaria de Educação pagava as mensalidades dos alunos e isentava os impostos, a Iniciativa Privada adentrava com moldes, investimentos e modelos avançados de estudos.

A estrutura era algo que impressionava, tanto pelo tamanho, quanto pela limpeza e zelo. Aos que tinham condições era permitido o uso de qualquer equipamento que acessasse a internet via wiriless.

A sala onde Miriane iria estudar não fugia aos padrões da escola: era de tamanho médio, ar-condicionado, acesso à rede sem fio, quadro-negro digital e datashow; as mesas eram brancas e as cadeiras, apesar de não almofadadas, confortáveis. Eram vinte alunos que se distribuíam em cinco fileiras.

Os horários da garota eram distribuídos em: três horas de primeiro tempo - cada hora correspondendo a uma disciplina -, meia hora de intervalo e mais duas horas de último tempo. O que menos a agradava eram os intervalos, justamente por causa de seu isolamento - que ela supria ou com um mangá ou com um livro.

- Ei! Isto ai não é “Naruto”? - Pergunta um de seus colegas de classe, ao ver a menina sentada em bancos próximos a sala.

- Sim!

- Qual volume?

A menina levanta o mangá de forma que o colega pudesse ver a resposta.

- Ah! Este já é antigo! No último evento daqui consegui alguns exemplares japoneses.

Ao ouvir aquilo um leve calafrio corta a espinha de Miriane. “Ele sabe japonês? Mas nem cara de oriental ele tem” pensava ela. “Ele deve estar a curtir da minha cara”.

- Posso te contar spoilers? - Pergunta o colega, agora sentando ao seu lado.

A primeira vez que Miriane ouvira falar em “spoiler” fora ao ler uma discussão em um fórum na internet.

- Não! Não gosto. Depois a leitura perde a graça. - Responde ela.

- Ah! Que pena, porque senão eu a atualizaria. Bom, agora tenho que ir, mas, qualquer dia desses, se você quiser, levo-te ao Otaku Event.

“Otaku Event? Nunca ouvi falar, mas sinto falta do Anime Friends”, pensava Miriane, um pouco antes de voltar a ler seu mangá.

TRÊS

Alguns dias se passam e Miriane continuava a ficar sozinha lendo mangá.

Isto acabou chamando a atenção da orientadora, que decidira chamá-la para uma conversa.

- Olá Miriane, sou Marta. Você deve ter me visto já andando pela escola. Sou responsável por todos os alunos do “Fundamental”.

- Sim... Digo, mais ou menos... - Responde Miriane.

A sala onde as duas estavam era um misto de escritório com “sala de relaxamento”, já que era composta por três mesas - uma próxima a porta, outra do lado de um armário e, por fim, onde as duas estavam, ficava ao lado de uma pequena cachoeira.

- Tenho notado que você nunca andou com alguns de seus colegas. - Indaga Marta.

- Não. É que eu prefiro ficar a ler um livro ou mangá. - Responde Miriane.

- Mangás? Por um acaso não seriam “gibis” japoneses?

Ao ouvir aquela comparação, a garota pode sentir seu sangue correr pelo corpo e seu coração disparar.

- O que foi? - Pergunta a orientadora, notando uma rápida mudança na expressão da menina.

- Não e sim, mas, por favor, é errado dizer que mangás são gibis japoneses.

- Ah, desculpe então. Mas, diga, já tentou se enturmar?

- Sim. - Mentiu Miriane. - Mas é que é difícil mudar antigos hábitos.

Marta tinha mais de vinte anos de experiência como orientadora. Formara-se a custo de alguns sacrifícios na Universidade Federal de seu Estado natal. Ela sabia que a adolescente estava mentindo, porém, sabia que forçá-la agora não traria resultados.

- Pois bem então. Obrigada por ter me atendido. Pode retornar a sua sala.

Miriane já havia passado por situações semelhantes e sabia que aquela não era a última vez que se encontraria com Marta para conversar; a garota tinha ciência que sua mentira fora vaga e que não deveria ter deixado seu sangue borbulhar.

No intervalo do dia seguinte, o mesmo colega que citará o Otaku Event volta a falar com Miriane.

- Olá! Vejo que desta vez passou para outro clássico da atualidade: One Piece.

- Eu gosto e, como ainda não pude comprar a continuação de Naruto, vou lendo o que possuo. - Responde Miriane.

- Bom, estudamos na mesma sala, então, acho que deveríamos nos conhecer melhor.

“[...] Acho que deveríamos nos conhecer melhor” repetiu a garota em sua mente.

Sem querer, aquele colega fizera Miriane se lembrar de um dos motivos de nunca falar com ninguém, principalmente com rapazes - o fato aconteceu dois anos antes; vários guris começaram a enchê-la por conta de uma aposta: “quem conseguisse um selinho dela, ganharia certo número de figurinhas”; até que ela não ligaria para uma coisa “tão banal”, como ela mesma pensava, mas no meio desses havia um guri que ela gostava e, ao saber que ele apenas se aproximara dela por conta de um prêmio, decidira isolar-se de vez.

- Diga! Qual é a aposta? - Pergunta Miriane.

- Aposta? Como assim?

- Sim. Figurinhas? Revistas? O que é dessa vez?

- Não estou te entendendo. Só quero ficar teu amigo. - Mais uma vez um erro “sem querer”, que levará Miriane se levantar e ir ao banheiro feminino, onde ficou lendo até soar o sinal de retorno às salas.

Júnior era o nome do colega que inocentemente queria amigar-se de Miriane. Ele tinha quase certeza que a nova colega era “otome” e por isso queria confirmar. Pelo visto e, como já era “otaku” a algum tempo, tinha certeza que se deparara com uma “otome clássica”.

“O que será que eu faço? São poucas as ‘otomes clássicas’” perguntava-se ele.

QUATRO

Júnior era um rapaz da mesma idade de Miriane. Era alto, magro - até de mais -, tinha olhos claros e cabelos castanhos.

“O que eu faço?” Perguntava-se ele, ao voltar para a casa.

- Júnior! E ai, como foi a escola hoje? - Pergunta um menino magro, baixo e que não deveria ter mais de uns oito ou nove anos. Ele é também o único irmão de Júnior.

- Foi bem. Mas a Miriane está a deixar-me intrigado cada dia mais. - Responde o rapaz, deixando cair sua mochila no sofá e sentando-se em frente ao irmão.

A casa dos dois era de tamanho médio, bem cuidada e ficava em um bairro de fácil acesso, porém, era a mais humilde.

Os irmãos moravam com os pais e também com mais um primo - que estava em outra cidade cursando Medicina.

Devido ao emprego dos seus pais, durante o período da tarde ambos ficavam sozinhos - um cuidando do outro.

- Por quê? O que foi que ela te fez desta vez?

- Deixou-me falando sozinho. - Respondeu Júnior à pergunta do irmão.

- Ah! “Largue mão dela”. Parta para outra.

- Não é tão fácil. Não sei; algo nela me lembra a mim mesmo com menos idade.

Júnior começara a se denominar otaku aos oito anos de idade graças a Fernando - um descendente de japonês que lhe apresentara vários animes, mangás e também lhe ensinara a falar japonês. Por causa disso e, a princípio, ele acabara tornando-se um alguém isolado e que simplesmente não precisava de mais amigos. Isto mudou quando ele fora ao seu primeiro Otaku Event.

- “Cara”, fala a verdade: “você está afim dela?”

- Não! E isto lhe respondo com toda convicção. Mas isto dela se tornar minha amiga já virou questão de honra.

De fato, eram verdadeiras as intenções de Júnior para com Miriane. Isto simplesmente por causa de outra menina, da qual o rapaz sempre fora meio apaixonado, mas que nunca tivera coragem para “se confessar”.

CINCO

Ao voltar para a casa e, como sempre fez, Miriane vai direto para seu quarto assistir animes e navegar um pouco por fóruns otakus.

A menina não gostava de ser chamada de “otome”. Não por lembrar “nerd” ou coisa do tipo e sim por causa de uma experiência que ela fizera certa vez - em Hiragana, a menina digitará a palavra no Tradutor do Google; o mesmo traduziu a palavra como “virgem”.

- Filha! Venha almoçar! - Chama a mãe.

Miriane põe então seu computador em Modo de Espera e vai para a cozinha, onde já tinha uma mesa com várias panelas e uma garrafa de refrigerante.

- E ai, como foi o seu dia na escola? - Pergunta a mãe de Miriane, ao mesmo tempo em que fazia o prato da filha.

- Como sempre... - Responde ela, deixando uma “brecha” para a mãe desconfiar que algo estava acontecendo.

- Como assim? O que foi que aconteceu?

- Ah! Um colega da minha classe quer porque quer virar meu amigo!

- E isto não é bom?

- Mãe! Você sabe o que aconteceu da última vez.

- Ah! Mas isto não quer dizer que aquilo volte a acontecer.

- Ah! Também a coordenadora chamou-me em sua sala.

- Para quê?

- Ela queria conversar comigo a respeito do meu isolamento. Menti para ela. Disse que já havia tentando fazer novos amigos mais que ainda não havia dado certo. Tenho quase certeza que ela vai te ligar contando isto.

De fato. No mesmo dia, quase meia hora depois do almoço, Marta liga para a casa de Miriane.

- Olá! A senhora é a mãe da aluna Miriane?

- Sou sim! Ah, você deve ser a coordenadora Marta, estou certa?

- Sim.

- Miriane me disse que vocês conversaram.

- Sim! Chamei-a por causa de seu isolamento. Nos intervalos nunca a vejo conversando com ninguém, somente lendo “gibis”.

- Mas isto não esta a afetando durante as aulas, ou está?

- Não! Até agora todos os professores me disseram que ela faz todas as atividades de sala, incluindo tarefas, porém, o que me preocupa é que mais para frente serão pedidos trabalhos em grupo.

- Mas isto não será bom? Não é a partir desse momento que Miriane começará a se socializar?

- Sim e é justamente este o intuito dos trabalhos em grupo, porém, meu temor vem dela querer jogar tudo para os colegas.

- Olhe Dona Marta, irei conversar com ela a respeito e, obrigado por sua preocupação.

- Certo. Mas já deixo à senhora ciente que logo tornarei a chamar Miriane aqui e, caso nada prospere, chamarei a senhora também.

- Tenho certeza que não será necessário. - Ao terminar, a mãe de Miriane desliga. Em seu interior uma preocupação começa a surgir.
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Masculino Virgem Macaco
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MensagemAssunto: Re: Otome-chan   Seg Jul 05, 2010 3:51 pm

SEIS

São sete e cinquenta e oito e a professora de Língua Portuguesa fala aos seus alunos na sala onde Miriane estuda.

- Como eu já havia dito no início deste ano letivo, algumas vezes pedirei trabalhos em grupos. Pois bem, esta hora chegou. Eu peço para que vocês se ajuntem em grupo de no mínimo quatro e no máximo de cinco alunos.

Ao terminar, um tumulto tomou conta do recinto. Mesas foram empurradas, mochilas derrubadas e algumas pontas de lápis se quebraram ao caírem no chão. Miriane só esperava ninguém a chamá-la, pois detestava trabalhar em grupo - para ela era muito melhor sozinha porque poderia tomar as decisões por si só sem ter que esperar outrem para auxilia-la.

- Miriane, você já tem grupo? - Pergunta Júnior.

Antes de a menina poder responder, a professora resolve tomar alguma iniciativa perante o anarquismo que a sala se tornara.

- Bom, como vocês simplesmente não conseguem se organizar, vou eu mesmo montar os grupos. - Aquelas palavras soaram como uma bomba no estômago de Miriane. - Vamos lá... Grupo A: Amanda, Carlos, Miriane e Júnior...

Depois de ouvir seu nome, Miriane simplesmente parará de escutar. “Logo no mesmo grupo de um guri que cismou em mim?” dizia ela para si. Para Júnior, saber que teria mais chances de “destravar” Miriane e torná-la sua amiga soou como um analgésico à sua ansiedade.

- Pois bem, já que temos todos os grupos formados, peço por favor que se ajeitem de forma organizada. - Pedira a professora, inutilmente, já que mais uma vez o anarquismo passara pela sala. Foram necessários dez minutos para todos se organizarem. - Como finalmente temos paz, vou passar os temas. Grupo A: trabalhará sobre o Acordo Ortográfico...

- Ah, isto deve ser fácil. - Comentara Carlos, antes de esperar o término do discurso da professora.

- Assim espero... Miriane, você já deve estar habituada, pois acho que os gibis que você lê já devem estar vindos impressos na nova ortografia. - Completara Amanda, fazendo o sangue da colega borbulhar.

- Em primeiro: é mangá! Em segundo: não estão; principalmente publicações mais antigas. - Respondera Júnior; apesar da correção, o sangue de sua colega ainda continuava borbulhando, fazendo-a se encolher em sua mesa.

- Que seja. Vamos marcar então em uma casa para realizá-lo. - Dissera Carlos.

- Sim. E, vamos fazer assim também: cada um já começa a pesquisar e levemos estas a casa onde será feito o trabalho. - Complementara Júnior.

- Ok. Então pode ser neste fim de semana, lá na minha casa? - Propusera Amanda.

Como foram três votos a favor - Miriane ainda continuava encolhida e com raiva - ficara decidido que no próximo sábado todos iriam a casa de Amanda, já com algo em mãos para poderem montar o trabalho.

SETE

Como sempre, chega a hora do intervalo. Mais uma vez Miriane estava encolhida em um banco, sozinha, só que desta vez a garota não estava a ler nada - como era o habitual - e sim abraçando as pernas por cima do assento.

- Miriane! O que foi? Por que não está com um mangá? - Pergunta Júnior, ao ver a colega.

- Não te interessa! - Responde ela, sem se virar para olha-lo.

- Olha! Não sei o que aconteceu contigo, mas não pense que estou a ficar amigo de ti por conta de algo ou de alguma aposta.

- Acredito...

- Sim... E, antes de qualquer coisa, sou otaku. Lógico, não sou o “clássico otaku”, ou, o “nerd made in Japan”.

- Otaku? Você me parece mais um poser. - Desta vez Miriane se vira para responder, acabando com a tese de Júnior de que ela estivesse a chorar, já que tanto seu rosto como seus olhos estavam normais.

- Poser? Eu já não te disse que fui ao Otaku Event?

- Isto não quer dizer nada.

- Então, vamos fazer assim: “uma informação por outra”. Você aceita?

Em seu interior, Miriane queria negar, mas, devido ao que acontecera com ela mais cedo, fazer um amigo talvez a ajudasse a “superar aquilo” e retornar a ler seus mangás em paz.

- Aceito. Então, você começa. Diga-me, porque nunca o vejo lendo mangás aqui na escola?

- Porque, quando eu trouxe um para cá, a primeira coisa que fizeram foi tirá-lo de mim e deixar com que as folhas se despregassem. Era o terceiro volume de Uzumaki. Até hoje não consegui comprar outra cópia. Sua vez: “por que está encolhida no banco sem estar a ler algum mangá?”

- Por causa do que acontecera na minha casa por culpa da Dona Marta.

- E, o que acontecera?

- Uma informação pela outra. Lembra-se? - Naquela altura da conversa, ambos já se olhavam nos olhos.

- Certo. Então faça outra pergunta.

- Você é “BV”? - Aquilo despertara surpresa em Júnior. Ele não imaginara que ela pudesse perguntar aquilo; “é estranho, mas faz sentido”, mentalizou ele, “ela ainda tem certeza que quero me aproximar dela para tentar algo e cumprir uma suposta aposta”.

- Não. - Respondeu Júnior, meio que descontando, na mesma moeda, a forma como Miriane respondera sua última pergunta.

Antes de tornar a fazer outra pergunta, Júnior parou durante uns dez ou vinte segundos para pensar: “será que a questiono da onde ela tirou que eu quero virar amigo dela por conta de uma aposta e arriscar ganhar outra resposta curta ou aproveito e pergunto o que aconteceu hoje?”

- O que aconteceu hoje na sua casa?

- Minha mãe me proibiu de levar mangás para a escola porque diz que tenho que “socializar”. Minha vez: “qual é teu anime favorito?”

- To aru no majutsu no Index. “Minha vez”: “o que isso tem haver com a Dona Marta?”

- É que antes ela me chamara em sua sala para conversar e depois ligou para minha mãe dizendo que eu não tinha amigos e que ficava sozinha na escola.

Antes de Miriane poder fazer outra pergunta, o sinal toca e ela imediatamente se levanta e sai, sem se despedir ou algo do gênero. Foi a primeira vez que Júnior não considerara aquele gesto uma ofensa, já que ambos sabiam que se veriam novamente na sala.

OITO

É meio dia quando Miriane e sua mãe almoçavam. Um ar tenso rondava a conzinha e deixava a comida com um leve sabor de “ironia”.

A mãe da garota sabia o porquê daquilo, mas mantinha sua decisão; ela não queria que uma falta de atitude séria agora fizesse com que a filha sofresse no futuro.

- Como foi seu dia hoje, na escola? - Pergunta a mãe.

- Foi bom. - Responde Miriane.

- E o que você aprendeu?

- Um pouco sobre o Acordo Ortográfico e História Geral.

Ambas ficam quietas por um momento. Daquele recinto quase não se podia ouvir os carros passando pela rua. Se não fosse por isso, a cozinha estaria em um completo silêncio.

- Conversou com alguém hoje? - Voltou a perguntar a mãe, tentando restabelecer uma conversa.

- Sim. Com o Júnior. Aquele guri que disse que estava a me chatear. - Respondeu Miriane, olhando para seu prato, enquanto arrumava a comida no garfo.

- Mas, se ele te chateava, por que então você conversou com ele?

- Para desvendar o que ele queria comigo. Acho que realmente ele quer ser meu amigo.

- Que bom!

- Então... Posso voltar a levar meus mangás amanhã para a escola?

- Não. Filha! Quero que você entenda que tudo o que estou a fazer é para o seu bem!

Ao terminar de ouvir, Miriane solta seu garfo no prato, levanta-se e sai da mesa, deixando sua mãe sozinha. Alguns minutos depois ela retorna: - Mãe, este fim de semana tenho que ir à casa da Amanda. Vamos montar um trabalho a respeito do Acordo Ortográfico. Por isso vou ao meu quarto fazer pesquisas.

Sem esperar respostas, a garota deixa a cozinha. O coração de sua mãe estava apertado, mas de certa forma ela sabia que aquela atitude ajudaria, e muito, Miriane.

NOVE

Sem mangás e animes, Miriane estava praticamente sem nada para fazer.

Todas as suas pendências em relação à escola estavam prontas e ela, pela segunda vez, via-se sem ter o que ler ou assistir.

A primeira vez que isto acontecera fora quando ela ganhara seu primeiro computador - ou, a primeira vez que seus pais a deixaram fuçar a vontade em um. Era um mundo completamente novo para ela. Foi então que Miriane decidiu procurar por um “desenho” que ela considerava ser seu favorito: “Pokémon” - a principio os resultados da pesquisa haviam dado em nada satisfatório, até que ela se depara com um banner do evento Otaku AM.


OTAKU AM

Animes, mangás, e muita diversão

Dias dezesseis de dezessete de fevereiro

Entrada: R$10,00

Compareça!


“Foi como se fosse ontem”, lembra Miriane.

Os dias dezesseis e dezessete de fevereiro eram um sábado e um domingo respectivamente. Fazia calor e o evento tinha previsão para iniciar às oito horas. Às sete horas a fila já era grande e a garota simplesmente achava tanto cosplays como os “staffs” magníficos.

A partir daí Miriane começara a se denominar “otaku”.
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MensagemAssunto: Re: Otome-chan   Seg Jul 05, 2010 3:55 pm

DEZ

Chega o fim de semana e Miriane já sabia o que iria fazer: ir à casa de Amanda para compor o trabalho de Língua Portuguesa.

O horário combinado pelo grupo eram das quatorze horas até às dezoito horas; a única a chegar no horário fora Miriane, com a ressalva de que Júnior tivera uma hora de atraso - o mesmo justificara que aquilo havia ocorrido por conta que sua mãe tivera alguns contratempos que a impediram de o levar no horário combinado.

- Pois então, já com todos aqui vamos lá para a varanda, onde tem uma mesa do tamanho certo. - Dissera Amanda, já guiando o trio até o local.

A casa da guria não se podia dizer que era tão grande ou tão pequena, já que, quem via de fora não possuía a mesma impressão de que a via por dentro. A dita varanda não só possuía a mesa como também um quintal de tamanho médio, algumas cadeiras de balanço e em um dos cantos uma casinha de cachorro vazia.

- Você tinha cachorro? - Pergunta Carlos, sentando-se em um banco próximo à mesa.

- Sim. Mas infelizmente ele morrera de leishmaniose. - Respondera Amanda, indo pegar uma mochila que estava em uma cadeira de balanço.

- Eu trouxe a cartolina. - Pronunciara-se Júnior, tirando a mochila que estava em suas costas e dela a dita cartolina em cor branca.

- Desenrole-a e a coloque invertido. Assim será mais fácil. - Sugerira Carlos, também tirando a mochila de suas costas.

Miriane estava quieta e sentada ao lado de Amanda. Ela apenas observava e pedia para que ninguém notasse sua presença ou esquecessem-se dela.

- Miriane, você trouxe as pesquisas? - Perguntara Carlos.

- Sim, estão aqui. - Respondera a garota, retirando de sua mochila um pequeno punhado de folhas de papel.

- Pois então... - Quem começara a discursar era Amanda, mas Miriane acabara sendo tomada por um momentâneo devaneio, já que ela realmente não queria estar ali. - E ai, o que acham?

- Olha, será que nenhum de nós sabe desenhar? Eu acharia legal haver uma menininha explicando tudo isto como se fosse uma história em quadrinhos. - Propusera Júnior.

Foi então que finalmente algo de bom havia acontecido. Finalmente ela poderia unir algo que gostava por algo útil.

- Eu poço desenhar. - Pronunciara-se, finalmente, Miriane. - E peço para que vocês expliquem.

Sem nenhuma discordância, a garota começou então seu trabalho. Isto a tomou também no outro dia, porém, a poupou te quer que falar alguma coisa na apresentação.

ONZE

Após a apresentação do trabalho de Língua Portuguesa, tudo volta ao normal na vida de Miriane: sua mãe se satisfaz ao saber que ela conseguira nota máxima - isto do pensamento que tal feito só seria possível através da socialização - e a autoriza a levar mangás para a escola assim como poderia voltar a assistir animes.

Com isto, mais uma vez a garota estava lendo mangás durante o intervalo.

- Miriane, você não irá estudar para a prova de Inglês? Sabes o quão chata é a professora. - Indagará Júnior, ao ver a colega sentada tranquilamente no banco a ler Bleach.

- Não preciso. Passei a noite lendo mangá de fansubs estadunidenses.

- Só isto não basta. Você deu alguma revisada no Simple Past?

- Não... E também não te interessa.

A questão naquele momento não era uma provável preocupação de Júnior com a colega e sim o fato de que ele também não estudara e estava precisando de ajuda. Como os outros com quem ele conversara também não haviam estudado, a única esperança pairava sobre Miriane.

- Isto é mau! - Diz Júnior sentando-se ao lado de Miriane.

- Mais uma vez: e o que isto me interessa? - Responde a garota continuando a não olhar para o colega.

- O que te interessa? Você já pensou se a prova for em dupla e cairmos nós dois?

- Isto é improvável.

- Por quê?

- Porque é prova bimestral.

- Não! É mensal... Ainda faltam umas semanas para o fim do bimestre, então, os professores aproveitam para aplicarem as provas mensais e, depois, as bimestrais.

Dito e feito: era prova mensal e em dupla, porém, Miriane não fora destinada a fazer a prova com Júnior e sim com Viviane.

Viviane era um ano mais velha que Miriane graças a uma reprovação. Ela simplesmente odiava seus atuais colegas por os considerarem “crianças de mais”. Seu jeito de se vestir lhe dava um corpo de adolescente muito mais velha e isto já lhe rendera várias advertências por “vestimentas inadequadas”.

Miriane também a odiava, justamente por causa de seu estilo - que ela julgava extremamente vulgar.

- Você sabe alguma coisa do conteúdo? - Pergunta Viviane, ao ler algumas questões da prova.

- Mais ou menos. - Responde Miriane, tentando traduzir um pequeno texto.

- Ah! Todas as questões são de alternativa. Dê-me aqui a prova. Vou terminá-la para podermos sair mais cedo.

A garota praticamente arranca a prova das mãos de Miriane, deixando-a irritada.

- Não! Se você não quiser responder, eu o faço e lhe dou nota.

- Está bem então. Fico devendo-lhe.

“Um favor que nunca vou cobrar”, imagina Miriane, antes de voltar sua atenção para as questões na prova.

DOZE

Passam as provas e o quotidiano realmente volta ao normal.

Miriane simplesmente sabia que suas notas eram boas e por isso não se preocupava, enquanto que Júnior rezava Novenas para não conseguir notas abaixo da média escolar.

São duas e três da tarde quando algo totalmente imprevisível acontece.

- Miriane, você infelizmente não alcançou média em Química e por isso não poderei entregar-lhe seu boletim. - Dissera uma das secretárias da escola que estavam entregando as notas aos alunos “de média”.

“Minha mãe vai me matar!” Dizia para si a garota, já que, graças aquilo teria uma semana a menos de férias - não que isto viesse de uma recuperação, mas sim de seus pais que a colocavam em um reforço para suprir suas dependências intelectuais.

Aquela nota baixa, com o tempo e também depois da bronca, modificara um pouco Miriane. Ela passava a se considerar no mesmo patamar que Viviane - já que, segundo pensava a garota, fora assim que a colega começará sua vida desregrada.

Foi então que finalmente ela começara a querer se enturmar.

- Viviane, lembra-se daquele favor que você me deve? - Pergunta Miriane, no horário de saída à colega.

- Sim, lembro-me, mas, no que posso ajudá-la?

- Eu gostaria de chamar mais atenção?

- Como assim?

- “Mais atenção”, sabe?

- Ah... Rapazes...

- Sim... Ou quase...

Para Miriane, sua vida solitária era devido ao seu corpo pouco desenvolvido. Isto, segundo ela, fazia com que seus colegas a evitassem com medo de os acusarem de estar andando com uma criança. Infelizmente ela não via Júnior como um alguém que desmentisse esse pensamento, já que para ela, apesar da quebra do conceito de que ele só queria usá-la, o colega simplesmente queria fazê-la deixar de ser otaku.

- Pois então tome meu endereço. Venha a minha casa que eu lhe ajudarei. - Indagara Viviane, anotando seu endereço em um pedaço de folha de caderno e a entregando para Miriane. Para ela, o que antes era uma menina “tímida” e “sem graça”, se transformaria em uma “mulher”, enquanto que para Miriane, finalmente ela teria amigos não otakus.

TREZE

São quatorze horas da tarde. O sol estava brilhando e o calor só não era grande devido a uma leve ventania que levantava poeira e refrescava os que não tinham ar-condicionado ou ventilador.

Miriane estava com sua mãe no carro rumo à casa de Viviane. Suas mãos suavam devido à ansiedade.

- Filha! Que bom que finalmente você arranjou uma amiga. Na sua idade eu sempre ia dormir na casa da Joana, da Selma...

- Pois é... - Respondera Miriane à sua mãe.

Completamente desconfortável com tudo aquilo, a garota ia revendo vários animes através da memória, respondendo quase que automaticamente as indagações e perguntas de sua mãe.

- Acho que chegamos. - Indaga a mãe ao avistar uma enorme casa amarela, cercada por um muro marrom claro e com cerca elétrica. - Nossa! Isto não é casa, é mansão!

Miriane desce do carro e vai a uma campainha que estava ao lado do portão de entrada. Não demoram mais que dez segundos, uma pessoa chama pelo interfone.

- Quem é?

- Sou Miriane, colega de Viviane. Da escola.

- Ah, ela avisou-me que você viria. Já a chamo.

Exatos um minuto depois, Viviane vai encontrar a colega no portão.

-Filha, já que você está entregue, já vou indo. Às dezenove horas eu volto para buscá-la.

- Ok mãe. Qualquer coisa eu te ligo. - Responde Miriane, dando “tchauzinhos” com a mão.

Viviane convida a colega para entrar e a guia até seu quarto - que passava por uma enorme cozinha, uma sala de recepção e, por fim, uma escada.

O quarto da guria era completamente normal a sua idade: posters espalhados pelas paredes, uma mesinha cheia de livros e cadernos e um computador com vários bilhetinhos amarelos pregados ao monitor. Também havia um enorme guarda-roupa anexado à parede.

Miriane senta-se na cadeira que estava escorada na mesinha, enquanto Viviane jogava várias peças de roupas na cama.

- Escolha algumas. Dependendo vou te corrigindo. - Indagou Viviane.

Miriane então olha para as peças e pega aquelas que ela, a principio, achava que lhe caberiam bem, como blusas sem decotes e calças folgadas, com cores vivas e estampas próximas aos que ela costumava usar.

- Muito bem! Você se vestiu para uma festa de criança. Experimente essas.

Viviane passa para a colega uma blusa rosa, sem estampa, sem mangas e decotada. O short batia nos joelhos e parecia possuir mais de quinze anos de uso.

Um pouco constrangida, Miriane veste as peças de roupa no banheiro - ao lado do quarto - e retorna. Eis que é achado mais um defeito.

- A principio eu achei que isto lhe cairia bem, mas, seu corpo não “concorda” com as roupas. Vou ter que pensar um pouco. - Indaga Viviane, analisando Miriane durante alguns minutos. - Já sei... Tente essas peças agora.

Mais uma vez a garota vai e volta do banheiro. Dessa vez não houve defeitos.

- Agora sim! Agora posso compor seu estilo.

E assim foi pelo resto da tarde. No dia seguinte todos conheceriam uma “nova Miriane”.

QUATORZE

São cinco e meia e era ainda possível ver resquícios da lua no céu competindo com o nascente.

Júnior acorda com a ajuda de seu despertador, vai ao banheiro, limpa o rosto, pega uma tolha no seu quarto e toma banho.

Logo depois era possível ouvir seus pais e seu irmão na cozinha.

O garoto toma seu café da manhã, arruma sua mochila e vai aguardar o ônibus. Não se passam trinta minutos e finalmente ele encontrava-se na escola.

- Júnior! Tudo bem com você? - Pergunta um rapaz alto, magro, cabelos castanhos e olhos esverdeados.

- “Levando”... - Responde Júnior.

Júnior vai então até o pátio e senta-se em um banco que lhe dá a visão de todos que estavam indo e vindo. Ele então aproveita e começa a observar.

Não passa muito tempo e eis que algo lhe chama a atenção: uma garota que aparentava estar nos seus oito anos de idade, vestindo uma boina, colete, a camiseta de uniforme, saia curta, longas meias brancas, calça por de baixo da saia e sapato sapatilha; seu rosto era jovial, porém, denunciava que ela já era bem mais madura que aparentava ser; tinha longos cabelos castanhos claros e um olhar chamativo, de tom esverdeado. Sua mochila dava um “toque” a mais no figurino.

- Júnior! Olá! - Cumprimenta a garota.

- Mi... Miriane...! - Responde Júnior, literalmente de queixo caído.

- Sim! Sou eu. E ai, como você está? - Pergunta ela, indo em direção ao seu interlocutor.

- Bem... Vou direto ao ponto: “o que foi que você fez?”

- Como assim?

- Está mudada... Muito mudada!

Aquela indagação não vinha somente do fato das roupas de Miriane. Seu jeito de conversar com o colega também se transformara - ela agora o olhava diretamente nos olhos, transmitindo seriedade, confiança e ternura.

- Nada... Só decidi dar uma mudada de visual.

O sinal toca e impede que Júnior voltasse a questionar Miriane, porém, ele tinha a convicção de que poderia conversar com a colega no intervalo, no mesmo lugar de sempre.

Aquela convicção mostrou-se errada...

- Carlos, você sabe onde está Miriane?

- Eu a vi andando com a Viviane, lá no pátio.

Júnior então segue correndo para o pátio. O revira literalmente de cima a baixo, mas não encontra a colega. Ele retorna, quase sem fôlego, ao seu ponto de partida.

“Onde será que ela se meteu?” Perguntava-se ele. Infelizmente Miriane só tornaria a ser vista por ele em sala de aula.

QUINZE

As mudanças de Miriane, apesar de aparentemente terem ocorrido da noite para o dia, estavam sendo extremamente difíceis e complicadas para ela.

O novo “modelo” de roupa que agora ela vestia havia sido completamente pensado por Viviane assim como seu novo jeito de agir.

- Miriane, vou te dizer a verdade: este teu corpo realmente não chama muito atenção, porém, ele lhe dá a liberdade de se vestir como “lolita”. Por isso você sempre deverá procurar vestir algo que lhe dê a impressão de ser uma boneca viva; isto chamara a atenção dos “românticos”, ou, daqueles que fazem seu “estilo”. Quanto a sua personalidade: sorria sempre! Para falar a verdade, este último conselho dou a qualquer um, já que receber um sorriso é sempre bom. - Discursara Viviane, na mesma tarde em que Miriane a visitará.

Durante aquela noite, a garota refletira muito sobre as coisas e situações que até então havia passado, pensando como Viviane agiria. Foi a partir deste ponto que ela decidiu tratar melhor Júnior - lhe dar uma chance. Foi a partir desse ponto também que ela passara a ter dupla personalidade - uma completamente tímida e fanática por animes, mangás e cultura japonesa e a outra complemente “descolada”, simpática e rodeada de amigos.

DEZESSEIS

Conforme o tempo passava, mais “amigos” Miriane fazia.

Apesar de nunca ter pensado em possuir tamanha popularidade, já não havia uma só pessoa em sua escola que não a conhecesse.

- Muito bem! Vejo que finalmente arranjou amigos. - Indagara a coordenadora Marta para Miriane, em sua sala.

- Sim! Agora tenho muito mais amigos que um dia sonhei imaginar. - Respondera a estudante.

Um lado bom desta mudança: a coordenadora nunca mais a incomodara.

Enquanto isso, Júnior acabou no posto que anteriormente pertencia à sua colega otome: religiosamente em todos os intervalos ele lia algum mangá.

- O que está lendo? Pergunta Miriane.

- Bleach! Faz um bom tempo que deixei de acompanhar a série e agora quero retomá-la. - Responderá Júnior.

- Que bom! - Terminara a garota, sendo puxada por uma colega vestida quase que inteiramente por rosa, com exceção somente da camiseta de uniforme.

Era a segunda vez que Júnior experimentara a solidão, enquanto que era a primeira vez que Miriane experimentava a amizade.

Sob frio e chuva, o tempo volta a passar e eis que chega o Otaku Event.


OTAKU EVENT

O melhor evento otaku da cidade!

Games,animes, mangás e cosplayers.

Amplo espaço e várias manifestações culturais nipônicas.

Compareça!


Era um dos cartazes afixados na escola onde Júnior e Miriane estudava.

Sempre havia um grupo de estudantes o observando e lendo as informações nele contidas.

- Miriane, você irá ao Otaku Event? - Pergunta Júnior, em uma rara oportunidade de falar sozinho com a colega, enquanto ambos liam o cartaz.

- Acho que sim. - Respondera ela, tendo um leve frio no estômago.

- Por quê? Este é o maior e melhor evento otaku daqui.

- Não sei...

Sem dar mechas a novas perguntas, a garota sai correndo para a sala, como se “ela deixasse de ser ela”.

Aquele evento acabou abalando Miriane de uma forma que ela não pode controlar. A sua “otome interior” parecia querer sair, desesperadamente, do breu a qual fora aprisionada, no fundo de sua mente.

O resto do dia acabou tornando-se uma tortura para a garota. Ela simplesmente parecia estar em crise de abstinência: queria reler, de uma única vez, toda a sua coleção de mangás, assim como assistir todo o seu acervo de animes no computador.

A noite um sonho lhe vem à cabeça: estava ela em seu primeiro evento, simplesmente anestesiada com tamanha felicidade e logo em seguida ela encontrava-se atualmente, rodeada de pessoas que a elogiavam e a prestigiavam; apenas uma coisa a remontava a primeira fase do sonho: Júnior lendo o mangá de Bleach.

- Isto lhe trás lembranças, não? - Pergunta uma garota idêntica a ela, vestindo suas habituais roupas dos tempos em que ela nem sonhava em ser popular.

- Mais ou menos. - Responde Miriane.

- Ah! Isto não lhe trás lembranças tão boas, diga-se de passagem. - Indaga outra garota, também idêntica a ela, só que vestindo as roupas aconselhadas por Viviane.

- Realmente... Agora sim tenho amigos!

- Será mesmo? E o coitado do Júnior? Ao dar aquela chance a ele, você provará que na verdade ele realmente era um otaku. - Indagara a primeira garota.

- Mas... Antigamente eu não teria dado aquela chance.

- Para você ver como está muito melhor agora. - Respondera a segunda garota.

- Mas... Mas...

Miriane estava confusa. Aqueles seus dois “reflexos” simplesmente pareciam versões delas mesmo - e de fato eram.

Por um momento ela pensou que não mais possuía uma identidade e sim “várias personalidades” - para ela, a identidade seria aquela que comandaria todas as outras.

- Quem eu sou? - Pergunta Miriane para si mesma.

- Sou eu! - Respondem ambas as garotas.

Como se sua alma tivesse voltado ao seu corpo, a garota desperta.

DEZESSETE

São treze horas de uma tarde nublada e encalorada.

Todos sentiam a aproximação de uma tempestade.

Júnior e seu irmão estavam em casa, na sala, assistindo televisão quando se ouve um trovão e o aparelho desliga. Começa a chover. Os dois então começam a fechar as janelas. Ao termino, eles retornam ao lugar de origem.

- O que foi que estás pensativo? - Pergunta o irmão de Júnior.

- Quem disse que estou pensativo? - Responde o rapaz, olhando para o “nada”.

- Estás ai todo concentrado. Tem alguma coisa haver com a Miriane?

- Não...

- Sério?

- Não sei... Ultimamente ela tem estado distante... Desde que pregaram os cartazes do Otaku Event pela escola, ela parece não ser mais ela. Parece estar “possuída”.

- “Possuída”?

- Sim... Há dias que é de uma forma e dias que é de outra...

- E por que você se incomodaria com isto?

- Porque ela é minha amiga.

Ouve-se outro trovão e uma forte ventania começa a bater nas portas e nas janelas. O telefone toca: era a mãe dos dois meninos pedindo para que eles se abrigassem na casa da vizinha ao lado.

DEZOITO

As dúvidas que circundavam a cabeça de Miriane fez com que a garota começasse a olhar para o seu passado assim como para o seu presente.

Pensou em Júnior, nos eventos que ela tanto gostava de participar, dos animes que ela tanto amava assistir...

Em sua casa, em frente ao espelho de seu guarda-roupa, ela se olhava e, no lugar da menina a qual sempre estava acostumada a ver, via uma adolescente de treze anos assim como uma Miriane que nem mesmo ela conhecia.

O Otaku Event cada vez mais se aproximava... Júnior estava cada vez mais preocupado com sua amiga. Foi então que este toma a iniciativa de ir conversar com ela, saber o que estava acontecendo. Como sempre era um intervalo.

- Miriane, o que está acontecendo contigo? - Pergunta Júnior.

- Não sei... Eu realmente não sei... - Responde a garota, olhando para o vazio.

- Não digo que é para voltares a ser o que você antigamente era, mas toma uma iniciativa e defina sua personalidade.

- Mas... - Antes de responder, ela olha fundo no olhar do amigo, pensa um pouco, se levanta e lhe rouba um beijo, deixando-o assustado. - Desculpe. Achei que com isto confirmaria que eu estava “gostando” de ti, mas, no final, é porque você desde sempre foi meu amigo.

- Sempre fui seu amigo...

- Então acho que sempre era eu quem queria gostar de alguém... Ou melhor, acho que era eu que queria “adolescer”.

- Mas não é uma roupa que te faz ou não ser adolescente, que te faz ser mulher... Que te faz ser otaku... É o seu jeito de agir, pensar, conversar...

Mas uma vez Miriane olha fundo no olhar de Júnior. Algo lhe chamava a atenção: “por que toda esta amizade? Se você algo a mais, acho que ele teria me correspondido, mas...”

O sinal toca e ambos retornam para a sala de aula.

DEZENOVE

Era um dia de calor forte, um sol brilhante e raras nuvens do céu.

Uma imensa fila formava-se em frente à Associação Desportiva Nipo. Era finalmente o Otaku Event.

- Finalmente! Estava realmente ansioso. - Comenta Júnior para um colega, na fila.

Miriane estava em casa, aflita. Não sabia se ia ou se ficava em casa. Foi então que em um súbito flashback de seu sonho, ela veste suas roupas de sempre e corre para o evento.

Chegando lá, várias coisas lhe vieram à cabeça e tudo aquilo que ela aprendera com Viviane cairá por terra, exceto a opinião que agora ela tinha acerca da colega.

A garota começa a observar cosplayer por cosplayer e várias lembranças lhe viam a mente, entre elas os inúmeros amigos que ela fizeram enquanto morava em outras cidades.

Ela encontra-se com Júnior - que estava rodeado de outros amigos - e começa a conversar. Ambos ficam assim até o final da tarde do dia seguinte, quando finaliza o evento.

EXTRA

OS INSCRITOS DE MIRIANE


Miriane, durante algumas aulas que julgava “desnecessárias” - ou simplesmente tediosas - escrevia no final de seu caderno pensamentos que lhe viam à cabeça no momento.

O inscrito a seguir refere-se à segunda-feira depois do Otaku Event

Finalmente chegou o tão anunciado Otaku Event. Confesso que já estava ficando um pouco estressada com o tanto que o Júnior falava-me dele, porém, foi nele que percebi uma coisa: “não importa como você se veste ou até mesmo como você age, o que importa é como você se considera”.

Sim! Não foram nada fáceis essas mudanças - e digo até que me surpreendi com aquele beijo que dei em Júnior, coisa que me deixa um pouco constrangida, mas que me reflete: ‘quem sabe um dia?’”

Mas é isto a graça de viver... E só... Até já sei o personagem da qual “farei cosplay” em algum próximo evento.

É isto... Uma história sem fim... Ou ao menos o que eu acho que não tem fim - será algum erro? Mas ai outra graça: “é uma vida e, vidas quando estão no final não possuem graça, apenas beleza - dependendo da pessoa e o que ela fez”; e a vida de uma Otome - sim, aos quatro ventos e com inicial maiúscula: Otome - para alguns não tem graça, mas para mim tem - e muita - porque é uma fase que faz refletir e, o melhor, ao lado de alguém semelhante a você - sim, sou totalmente cética na pessoa que disse que os opostos atraem-se.

O futuro? O futuro não pode ser escrito em páginas de livros e sim vivido, para, quando tornar-se-á passado, possa, ai sim, fazer parte de algum grande conto.


O sinal toca e, como sempre fez, Miriane senta-se nos bancos próximos a sala e começa a ler algum de seus mangás.
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MensagemAssunto: Re: Otome-chan   Ter Jul 06, 2010 6:14 am

eish tanto post XD

ate respirei ofengante de tanto ler XD

nao esperava menos de ti CG

tá espectacular embora com erritos (mas isso é normal toda a gente erra)

espero k continues em força

gambate
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MensagemAssunto: Re: Otome-chan   Ter Jul 06, 2010 11:54 pm

xD... Gomen... É que esta fic tem tempos que já está pronta, então, a postei de uma vez.

Erros? o_O... T_T gomen... Não a revisei... Mas tentei dar vida a minha personagem, de forma a parecer que podes a encontrar em um virar de esquina.

Como sempre: obrigado por seres meu leitor =D
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MensagemAssunto: Re: Otome-chan   Qua Jul 07, 2010 7:43 am

meu amigo... a honra é minha xD

é sempre um prazer ler os textos do pessoal e os teu sao fenomenais

XD

keep going XD
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MensagemAssunto: Re: Otome-chan   

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