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 A Rapariga dos Sonhos

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Ako-nee

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MensagemAssunto: A Rapariga dos Sonhos   Dom Fev 26, 2012 1:58 pm

A Rapariga dos Sonhos (Baseada em Factos Verídicos) – Romance e Mistério

Capítulo 1 – Alguém Sem Sentimentos

“Era uma tarde de Outono. Estava um frio de rachar. As folhas das flores de macieira caíam sobre a rapariga que estava ali sentada naquele velho banco de jardim. Era pálida como a neve que caía na nossa aldeia no Inverno. Tinha uns belos e magníficos cabelos loiros, brilhantes, ondulados, que lhe davam até aos joelhos, e uns olhos azuis que brilhavam como um diamante. Usava apenas uma saia que lhe dava até quase ao chão e uma blusa de manga curta. Ela era linda. Ela estava simplesmente a olhar para o nada. Nem pestanejava. Parecia que nem sentia o frio. Era como se estivesse morta. Aproximei-me dela. Coloquei o meu casaco nos seus ombros. Senti a sua pele gelada como um cubo de gelo. Não se moveu. Acho que não tinha dado por mim. Ela parecia que estava petrificada. Sentei-me ao seu lado. Não falámos nem nos mechemos durante algumas horas. As pessoas que passavam por nós apenas me viam a mim. A rapariga perece que apenas é vista por mim, pensei eu, mas isso é impossível. Se ela está ao meu lado e eu a vejo, as outras pessoas também. Comecei a olhar fixamente para ela. Reparei que não respirava. Voltei a olhar para onde estava anteriormente a olhar: para o nada. Ou melhor, a tentar. Estava sempre a olhar para algo. Ou para uma das macieiras, ou para as pessoas que ali passavam. Mesmo que nós saibamos que os sonhos nunca se irão realizar, continuamos a sonhar, porque eles nos dão força para continuar e nos fazem sentir melhor, disse-me a rapariga. Ela tinha uma voz doce como mel. Continuava a olhar para o nada. Eu não percebi logo o que ela me tinha dito. Mas respondi-lhe: Porque me dizes isso? Para mim um sonho é apenas um sonho. Ela nunca mais me respondeu. Um arrepio subiu-me pela espinha acima, com o frio que estava. Se um fantasma falasse contigo, o que farias?, perguntou-me ela. Eu não acredito em fantasmas, respondi-lhe. Olhei em volta, sem saber do que estava à procura. Passado poucos segundos, voltei a olhar para o lado em que a rapariga estava sentada. Tinha desaparecido. Apenas estava ao meu lado o casaco que eu lhe tinha colocado nos ombros. Toquei nele. Estava frio como gelo, como se ninguém o tivesse vestido. E a rapariga, nem rastos dela. É como se tivesse desaparecido como por magia. Nunca mais a voltei a ver.
Nessa noite sonhei com um unicórnio, branco como uma pétala de mal-me-quer, que falou comigo. Mesmo que nós saibamos que os sonhos nunca se irão realizar, continuamos a sonhar, porque eles nos dão força para continuar e nos fazem sentir melhor, foi o que me disse. Aquela frase era a mesma que a rapariga me tinha dito, aquela rapariga sem sentimentos. A doce voz do unicórnio era-me familiar, não sei de onde. Era uma voz masculina. O lindo chifre do unicórnio iluminou-se. Comecei a flutuar. Os sonhos não são apenas sonhos, são força que nos ajuda a continuar em frente, mesmo que sejam impossíveis. Diz-me, o que farias se não tivesses sonhos?, perguntou-me. Ficou a olhar para mim, à espera de uma resposta. Passado uns minutos respondi-lhe: Bem, hei-de me contentar. Os adultos também não têm sonhos. Apenas as crianças. Ele olhou para mim, espantado com o que tinha acabado de dizer. Toda a gente tem sonhos, até os adultos. Olhei para ele, com uma cara confusa. E com o que é que sonham? Ele sorriu-me. Sonham com tudo menos o que tu podes imaginar. É completamente impossível existir alguém sem sonhos. Até mesmo os animais e as plantas têm sonhos. Olhei para o seu chifre iluminado e franzi o sobrolho. Então isso significa que tu também, se és um unicórnio. O sorriso dele desvaneceu-se e respondeu-me: Eu não sou um animal, sou uma criatura mítica, não sonho. O que faço é guiar quem tem sonhos pelo caminho certo. Incluindo-te a ti. A luz do seu chifre apagou-se e eu deixei de flutuar. Ao pousar, gotas de água começaram a levantar-se do chão à minha volta. Parecia que estava a chover de baixo para cima em vez de ao contrário. Eu estava seca e o unicórnio, que estava a ser molhado pelas gotas que subiam, estava encharcado.
Acordei. Tinha tudo sido apenas um sonho. E que sonho! Este Outono gélido tinha sido inesquecível. E será que ainda voltarei a ver aquela rapariga?”.
Acabei de ler a carta que tinha escrito há 6 anos. Parece que foi ainda ontem que tudo isto aconteceu. Voltei a dobrar a folha de papel amachucada e velha e guardei-a novamente dentro da gaveta na mesinha de cabeceira de madeira com mais de 170 anos, ao lado da minha cama de ferro pintada de branco. Fechei-a à chave e coloquei a pequena chavezinha de novo no fio que usava sempre ao pescoço, para ser a única com acesso àquela gavetinha.
Decidi ir passear ao jardim das minhas recordações, onde estava a rapariga sem sentimentos, há 6 anos atrás. Sentei-me exactamente no mesmo sítio, e tentei não olhar para nada. Mas sempre que quase conseguia, passava algo ou alguém por mim que me desconcentrava. Começou a pingar. Uma pequena nuvem branca transformou-se numa grande nuvem cinzenta. Soavam trovões, relâmpagos iluminavam o escuro de uma forma assustadora ao rasgarem o céu coberto de nuvens negras. Não tinha trazido nenhum guarda-chuva, em breve iria ficar toda molhada. Mas, quando me ia levantar para correr até o café mais próximo, onde me podia abrigar, o meu corpo bloqueou por completo. Não me conseguia mexer. Estava sentada, imóvel, completamente petrificada. De repente, a chuva deixou de cair sobre mim. Sentou-se alguém ao meu lado, onde tinha estado a rapariga há 6 anos. Como estava petrificada, não consegui ver quem era, apenas sabia que trazia um guarda-chuva e o partilhava comigo. Senti essa pessoa a colocar-me algo nos ombros, algo quente. Presumi que era um casaco. Senti-me mais quentinha.
Quando a chuva parou, as nuvens negras desapareceram e o sol voltou a brilhar, apareceu um lindo e enorme arco-íris. Voltei a poder mover-me. O guarda-chuva deixou de me fazer sombra. Olhei para o lado um pouco a medo. Era a tal rapariga sem sentimentos. Fiquei espantada por voltar a vê-la. Tinha muitas perguntas para lhe fazer mas, não sabendo porquê, como se estivesse a ser controlada, apenas lhe perguntei: Como é que consegues não olhar para nada, não respirar, não te moveres… Toquei-lhe na mão e continuei … e seres tão gelada que pareces gelo? Ela não olhou para mim e repetiu a frase que outrora me disse: Mesmo que nós saibamos que os sonhos nunca se irão realizar, continuamos a sonhar, porque eles nos dão força para continuar e nos fazem sentir melhor. Lembrei-me do Unicórnio, pois já considerava esse o seu nome, que tinha dito que todos tinham sonhos. Qual é o teu sonho? Nós ficámos algum tempo a olhar uma para a outra, sem dizer uma única palavra. Estávamos perdidas nos olhos uma da outra. Finalmente, ela disse-me: Eu não tenho sonhos, tonta. E sorriu-me, com um pequeno sorriso. Eu insisti: Mas isso é impossível. Tudo o que existe tem sonhos. Ela riu-se. Acredita, quando eu existia era cheia de sonhos, tal e qual como tu. Eu não podia ter ficado mais confusa e ela, ao ver a minha cara, percebeu isso e fez uma pergunta muito estranha: Ainda não deste por nada? Por que achas que, ao fim de longos 6 anos, tu estás diferente e eu não? Não cresci, o meu cabelo também não, uso a mesma roupa, não tenho amigos, apenas tu me vês… Ao fim de algum tempo eu perguntei-lhe, sem ter certezas de nada: Estás a querer dizer-me que és a minha consciência?! Ela riu à gargalhada. Tonta! Eu sou um fantasma. Eu, ao ouvir aquilo, fiquei sem saber o que dizer e o que fazer. Ao fim de alguns minutos, ela suspirou. Sentimentos e sonhos…tenho saudades disso, mas fez-me sofrer também muito, e então, por outro lado, ainda bem que não os tenho. De qualquer das formas, se não me tivessem feito sofrer, estaria contente porque, mais cedo ou mais tarde, ou seja, quando chegasse a adulta, deixaria de ter sonhos. Eu, ao ouvir aquilo, revoltei-me logo. Não! Enganaste! Até os adultos têm sonhos, e as plantas e os animais também. O sorriso dela desvaneceu-se. Foi o Unicórnio que te disse isso, não foi? Eu espantei-me logo e perguntei-lhe: Como é que sabes? Ela ajeitou-se no banco e olhou para baixo. Eu, antes de me tornar neste fantasma gélido que vês, também via esse Unicórnio nos meus sonhos. Ele falou-me sobre isso tudo e eu acreditei nele. Perguntei aos meus pais se tinham algum sonho e eles responderam-me “Ás vezes, sonhamos que tivemos outra filha, uma mais responsável mas, neste momento, sonhamos que comas o jantar todo”. Às vezes, os meus pais ficavam frustrados com o trabalho e eu percebo que sim, mas antes não e então saí de casa para reflectir sobre o que o Unicórnio tinha dito. Quando dei por mim, estava no meio da estrada, mas quando reparei já era tarde demais. Fui atropelada. Quando ela acabou de contar a história, fiquei sem saber o que havia de fazer. E podia eu confiar no Unicórnio dos meus sonhos?

---Fim do Capítulo 1---
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